A NOSSA HISTÓRIA

A metodologia de Emprego Apoiado teve o seu início na década de 70 nos Estados Unidos da América quando o trabalho efectuado por diversos profissionais demonstrou que pessoas com significativas dificuldades de aprendizagem, poderia realizar uma variedade de tarefas complicadas destacando as potencialidades e capacidades das pessoas com dificuldades de aprendizagem no trabalho pago, no mercado aberto de trabalho.

Assim, devido ao sucesso do Emprego Apoiado na ajuda a pessoas com dificuldades de aprendizagem a aceder e manter o emprego, o modelo foi desenvolvido e expandido para incluir todas as deficiências e pessoas em situação de desvantagem.

No final dos anos 80, o modelo foi transferido da América para a Europa e um número de organizações que intervinham com pessoas com deficiência e/ou doença mental em vários países da Europa levou a cabo Projectos-piloto de Emprego Apoiado, muitos no âmbito de programas da União Europeia tais como Helios e Horizon.

A União Europeia de Emprego Apoiado (EUSE – European Union of Supported Employment) foi fundada em 1993, em Roterdão.

A definição de Emprego Apoiado na Europa é reconhecida como:

“Providenciar apoio a pessoas com deficiência ou outros grupos em desvantagem para assegurar e manter o emprego pago no mercado aberto de trabalho” – União Europeia de Emprego Apoiado, 2005.

O envolvimento de Portugal neste movimento deu-se há alguns anos, através do Programa Integrado de Formação Profissional e Emprego para Jovens com Deficiência, um programa promovido pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), através da Direcção de Serviços de Reabilitação, com incidência em três regiões do País: zona Oeste (Prooeste), Setúbal (Proiset) e Norte (Promindo).

O Programa Integrado constituía-se como uma Actividade Modelo Local (AML) do Programa Helios I – Sector de Integração Económica. Era considerado portanto como uma experiência inovadora com contributos a dar à inserção social e profissional de pessoas com deficiência, ao nível europeu.

Em Janeiro de 1991 houve a oportunidade de uma delegação do Proiset, participar num Seminário Europeu do Programa Helios em Belfast.

Esta delegação integrou o coordenador da Comissão Executiva do Proiset, Augusto Sousa, a coordenadora do Conselho Técnico do Proiset, Dália Dantas e técnicos de emprego da Península de Setúbal do IEFP (Elisabete Freire, Leonor Encarnação, Bentes de Oliveira, respectivamente dos Centros de Emprego do Barreiro, Almada e Setúbal).

Durante esse Seminário relataram-se os primeiros passos e a perspectiva de formação profissional e emprego para o público alvo referenciado acima, que estávamos desenvolvendo.

Chisty Lynch, de St Michael’s House, Dublin, Irlanda, foi também convidado para o Seminário, tal como Michael Kamp, dos Países Baixos e Patrick Lynch, de APT, Tullamore, Irlanda.

Iniciámos a discussão preliminar acerca da importância de promover um novo projecto transnacional com o objectivo de desenvolver um modelo de formação profissional em empresa. Algumas semanas mais tarde Christy Lynch, promotor do projecto OPEN ROAD (considerado o primeiro projecto de emprego apoiado na Europa), através de St Michael’s House, Dublin, veio a Portugal para visitar o Programa Integrado e teve também oportunidade de se encontrar com a Direcção de Serviços de Reabilitação do IEFP.

Em Março de 1991, voltámos a Dublin com o acordo da Direcção de Serviços de Reabilitação para uma reunião com Christy Lynch, Michael Kamp, Patrick Lynch, Joe Carlton (da Training and Employment Agency – Irlanda do Norte) e alguns outros colegas.

E foi durante esta visita que se definiu promover o Projecto Agora, que deu origem à EUSE – European Union of Supported Employment , uma ONG europeia que representa o movimento de emprego apoiado em mercado aberto na Europa, com ligações em diferentes países (20 países na Europa), Estados Unidos, Japão, Austrália, África do Sul, e alguns outros.

A EUSE iniciou actividade em 1993, tendo promovido até ao momento onze conferências europeias de emprego apoiado e desencadeado muitos projectos.

Entretanto, uma outra ligação de Portugal ao movimento de Emprego Apoiado tinha vindo a estabelecer-se, através do Dr. José Ornelas e da Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS), particularmente a partir da Universidade de Boston, EUA.

Em 1993, promovida pela AEIPS, com a colaboração da RUMO, realizou-se a primeira Conferência de Emprego Apoiado em Portugal, na FIL, Junqueira, com a participação de inúmeras representações de diversos países europeus e dos EUA.

Em 2001, a Rumo, a Associação Cultural Moinho da Juventude, Associação para o Estudo e Integração Social, Associação de Mulheres contra a Violência e Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, em colaboração com outras entidades, como a AIP, AERLIS, Câmaras Municipais e constituindo uma Parceria de Desenvolvimento (PD), iniciaram a preparação de um projecto, no âmbito da Iniciativa Comunitária EQUAL.

A missão deste projecto que foi designado EMPREGO APOIADO era a generalização do modelo de Emprego Apoiado, incrementando o acesso ao mercado aberto de trabalho de pessoas em situação de desvantagem.

Posteriormente, este alargamento do movimento de Emprego Apoiado a outras pessoas, para além das pessoas com deficiência ou doença mental, constitui uma inovação. Aliás, Portugal é um dos primeiros países a apostar em tal perspectiva.

Este projecto é um passo decisivo para a afirmação do movimento de emprego apoiado em Portugal, tendo já promovido a fundação da Associação Portuguesa de Emprego Apoiado – APEA, em Março de 2004, que o congrega e representa, com uma relação privilegiada com a European Union of Supported Employment e todo o movimento internacional de Emprego Apoiado.