EMPREGO APOIADO

EMPREGO APOIADO

“Providenciar apoio a pessoas com deficiência ou outros grupos em situação de desvantagem para assegurar e manter o emprego pago no mercado aberto de trabalho.” – União Europeia de Emprego Apoiado, 2005.

VALORES E PRINCÍPIOS

O Emprego Apoiado (EA) é um modelo de intervenção para trabalhar com pessoas em situação de desvantagem. Tem como objectivo potenciar o acesso e manutenção ao trabalho remunerado no mercado aberto de trabalho. O EA é completamente consistente com os conceitos de capacitação, inclusão social, dignidade e respeito pelas pessoas. No âmbito da European Union of Supported Employment (EUSE), foi alcançado um acordo sobre os valores e princípios que devem estar presentes em todas as fases da EA bem como as suas actividades e que estão de acordo com os plenos direitos de cidadania:

Individualidade

Em primeiro lugar o EA considera cada candidato como único, com seus próprios interesses, preferências, condições e histórico de vida.

Respeito

As actividades do EA são também sempre: adequadas à idade, dignas e melhoradas.

Autodeterminação

O EA auxilia os candidatos a melhorar os seus interesses e preferências, bem como a expressar as suas escolhas e definir o seu plano de emprego/vida, simultaneamente de acordo com as condições pessoais e contextuais. Deste modo promove os princípios da autodeterminação dos indivíduos.

Escolhas informadas

O EA ajuda as pessoas a compreenderem as suas oportunidades. Dessa forma poderão escolher consistentemente dentro das suas preferências bem como adquirir compreensão das consequências das suas escolhas.

Empowerment

O EA ajuda os candidatos a tomarem decisões sobre o estilo de vida e a participação na sociedade. Os candidatos estão assim envolvidos no planeamento e avaliação assim como no desenvolvimento do seu percurso e dos serviços necessários nesse processo.

Confidencialidade

O serviço/técnicos de Emprego Apoiado consideram confidenciais as informações fornecidas pelos candidatos. Ademais, os candidatos têm acesso às suas informações pessoais recolhidas pelo técnico. Assim sendo, qualquer divulgação fica ao critério e com o acordo do indivíduo.

Flexibilidade

O pessoal e as estruturas organizacionais podem mudar de acordo com as necessidades dos candidatos. Os serviços são flexíveis, respondem às necessidades dos candidatos e por conseguinte, podem ser adaptados para atender aos requisitos específicos.

Acessibilidade

Os serviços, instalações e informações de EA são totalmente acessíveis para todas as pessoas em situação de desvantagem.

Dentro destes princípios, este modelo assenta na optimização dos papéis a desempenhar pelos três elementos essenciais ao processo de integração. Os técnicos de EA, os tutores das organizações (empresa ou outra) e os candidatos (partindo da situação de desvantagem).

Quando estes três elementos atingem o equilíbrio funcional e humano necessários, o sistema alcança o ponto que lhe permite enfrentar as dificuldades naturais de um processo de inserção profissional. Assim, como em qualquer sistema de forças, estes três elementos devem ter consciência de que só em conjunto, resolverão com sucesso os inevitáveis desequilíbrios que o meio, o processo e o tempo provocarão.

EMPREGO APOIADO – ETAPAS

Os valores e os princípios do EA são suportados por um processo/metodologia de 6 etapas. Estas etapas foram identificadas e reconhecidas como um modelo europeu de boas práticas que pode ser usado como um enquadramento do emprego apoiado.

emprego-apoiado

As etapas são as seguintes:

Etapa 1 – Envolvimento do candidato:

Tem como objectivo permitir a construção de uma relação de empatia, segurança, confiança e confidencialidade entre técnico e candidato. Esta relação é fundamental para que todos possam não só apreender os objectivos, os métodos e os instrumentos utilizados bem como, para que o candidato seja capaz de exprimir, mais facilmente, as suas expectativas e necessidades. Pretende, também, conhecer a identidade do candidato. Procura ademais obter alguma informação geral e conhecimento do candidato, assim como da sua família e sua envolvente.

Etapa 2 – Perfil vocacional:

Continuação do envolvimento do candidato, mas assegurando o empowerment do indivíduo ao longo do processo. É assim realizada uma investigação/exploração com o intuito de  identificar os valores e os interesses dos candidatos. Os mesmos serão identificados através do levantamento e da reflexão sobre os momentos significativos do seu percurso pessoal e profissional. A investigação/validação permite proceder ao reconhecimento e validação das competências dos candidatos, com vista à construção dos seus projectos pessoais.

Etapa 3 – Procura de emprego:

Pede-se primeiramente a cada candidato que reflicta sobre o seu percurso pessoal e profissional, analisando cada uma das profissões desempenhadas. Posteriormente, cada candidato deve reflectir qual a profissão ou profissões que gostaria de abraçar. Para cada profissão é então, pedido ao candidato que procure especificar todas as actividades e funções necessárias, permitindo, assim, a obtenção de evidências de eventuais competências. Para cada actividade o candidato é convidado a referir o grau de satisfação que a mesma lhe poderá proporcionar.

Etapa 4 – Envolvimento das Empresas:

Um passo fundamental para um dos processos basilares da metodologia de EA é certamente o job matching. Para o técnico de EA poder ajudar e orientar o candidato na obtenção de um emprego, deve:

  • Desenvolver uma rede de contactos e relações com profissionais de várias entidades. Serviço social, centros de saúde, centros de emprego, associações empresariais, etc., poderão auxiliar no encaminhamento, na avaliação, bem como no suporte de candidatos a um emprego/negócio.
  • Trabalhar com empresários e associações locais para o desenvolvimento de oportunidades de emprego/negócio, através de diversas de iniciativas de apoio.
  • Ter conhecimento do mercado de trabalho, necessidades dos empregados e funcionários, assim como, conhecimento sobre emprego e empregabilidade.
  • Sensibilizar para o EA, através de apresentações, participações em reuniões/eventos e marketing.

É este conhecimento, com os dados dos candidatos e das empresas, que irá contribuir forte e assertivamente para a colocação de uma pessoa no posto de trabalho correcto – assegurando as competências da pessoa face às necessidades de um posto de trabalho de uma determinada empresa.

Etapa 5 – Acompanhamento pós colocação:

O técnico nesta etapa tem um papel decisivo, para a colocação e manutenção de postos de trabalho:

  • Deve ser um recurso de avaliação da evolução da integração sócio laboral das pessoas, com acções de reencaminhamento ou outras necessárias à manutenção e incremento do nível de empregabilidade.
  • Deve intervir de forma interdisciplinar e de articulação de entidades, como processos decisivos na promoção, estabilização e desenvolvimento do emprego.
  • Ter em conta que se deve continuar a utilizar programas individualizados.
  • Agir permanentemente, tendo uma perspectiva estrutural da pessoa, fazendo uma abordagem global das relações dialécticas estabelecidas entre a pessoa e os sistemas e subsistemas envolventes (indivíduo/empresa/família/comunidade)
  • Intervir, fazendo agir todas as componentes sociais da zona abrangente das unidades de acompanhamento pós-contratação, potenciando o desenvolvimento de programas que proporcionem a inclusão de jovens/adultos em situação de desvantagem, da nossa comunidade, em mercado aberto de trabalho.
  • Intervir com parceiros nacionais e transnacionais. Possibilitar o intercâmbio de experiências e de investigação, ao nível das metodologias e instrumentos, assim como na formação de recursos humanos, nas áreas inerentes aos objectivos das Unidades de Acompanhamento Pós-Contratação. Consoante o desenvolvimento do processo, dá-se uma última fase que é o afastamento ou fade out. Consiste no distanciamento entre técnico e candidato (posteriormente da família) terminando o processo de autodeterminação ou empowerment da pessoa. Não deixando de agir se necessário, quando solicitado pelo candidato, empresário ou família.

Etapa 6 – Progressão na carreira:

Na metodologia de Emprego Apoiado a Progressão de Carreira surge como oportunidade de desenvolvimento do potencial da pessoa candidata a nível pessoal, social e profissional.
A progressão da carreira está assente no desenvolvimento da pessoa quer a nível profissional, quer a nível pessoal e na capacidade que a pessoa possa ter em transformar a sua aprendizagem ao longo do tempo em nova carreira ou em outra carreira.
Desta forma, o técnico de Emprego Apoiado em conjunto com a pessoa deverá revisitar alguns dos instrumentos utilizados na etapa 1, 2 e 3 para uma preparação do seu futuro profissional; dando â pessoa a possibilidade de uma maior confiança e realização profissional e pessoal, potenciando as capacidades individuais, as experiências, o conhecimento e os saberes adquiridos.

Ciclo da Metodologia de Emprego Apoiado

Percursos Integrados de inserção

O esquema, representa de uma forma dinâmica as 5 etapas da metodologia do Emprego Apoiado.

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